Implosão do Hospital Universário 19/12/2010

21 12 2010

E uma nova época se instaurou na Cidade Universitária nesse último dia 19. Pena que eu só pude por as mãos no vídeo da implosão da ala sul do Hospital Universitário hoje de manhã. Mas foi lindo. Sério, a fumaça em forma de cogumelo do Mario subindo em direção aos céus como resultado dos tantos andares do prédio do hospital se estribuchando no solo decadente do campus da UFRJ foi um marco do ano de 2010, e vale ser visto repetidamente milhões de vezes. Eu já vi e revi uma trinta e sempre bato palmas juntamente com o povo do vídeo.

Porque foi épico, gente. Épico.

Anúncios




O almoço de todo dia de um universitário

6 04 2010

Estudante universitário sabe como a hora do almoço é um momento sagrado do seu dia e como isso pode alterar o seu humor. Eu pessoalmente fico insuportável quando estou com fome, principalmente para a pessoa ao lado, que por um acaso do destino acaba tendo que suportar os lamentos de uma criança faminta de oscilações rabujentas falando “ai que fome” a cada dois minutos e sobre como o estômago está roncando e implorando por comida. Em alguns casos é até possível a pessoa alheia ser capaz de escutar um dos breves lamentos do meu estômago faminto, mas veja bem: Eu acordo às seis da manhã a tempo de tomar um bom café com direito a frutas, pão, queijo e tudo mais que estiver disponível no doce lar da nossa casa, mas depois disso vem o adicional de fazer parte dos pobres coitados que moram na Baixada Fluminense (conhecida calorosamente como “Cu do Rio de Janeiro”) e ser sujeito a viajar uma hora e meia TODO-O-SANTO-DIA para chegar à faculdade que, convenhamos, situa-se no meio do nada. Quero dizer, quando eu chego na faculdade eu já estou morrendo de fome.

Quando eu virei universitário ano passado eu sempre ouvia pelos cantos ou lia nos enormes cartazes do meu prédio das tantas manifestações sobre como o nosso “restaurante popular” funciona. O famoso bandejão. Se você estuda numa universidade pública e conhece os prazeres dos bandejões, provavelmente entende como eu me sinto. Enfrentar aquela fila enorme todo o dia no horário do almoço e pagar dois ou três reais por uma refeição completa com direito a suquinho e (!!!) sobremesa, é uma maravilha. Mas bem, eu pago dois reais pra comer e não estou em posição de reclamar, porque realmente quebra o galho e forra o estômago, mas nada é perfeito. Aliás, se é para ser sincero a comida passa longe de ser perfeita, com aqueles bifes suspeitos encharcados de molhos um com o nome mais bizarro que o outro, e que além de tudo ocupa mais da metade do seu prato. Ou seja, tem vezes que a gente não sabe nem o que fazer com aquele trambolho de carne de quinta que veio sabe-se lá de onde e é preparado pelas mãos sabe-se lá de quem. Mas fazer o quê, a gente tem que comer, se alimentar, afinal quem vai estudar por nós, o futuro dessa pátria TÃO amada chamada Brasil?

Mas essa semana para a minha surpresa aconteceu um barraquinho particular na entrada do Bandejão, coisa que nos meus longos dias de primeiro período ainda não havia tido a honra de presenciar. Como é que funciona o Bandejão do prédio de Letras? É assim: Mais ou menos às dez, onze horas eles começam a distribuir “senhas”. Essas senhas servem para você guardar o seu direito da refeição ATÉ às treze horas, quer dizer que você chegando lá ATÉ às treze horas você pode entrar e então poder saborear sua refeição sem problema algum. Eu nunca tive problemas com isso se a gente ignorar a demora que a fila anda, mas no meio de todo esse sistema tem um porém. Nem todo mundo que adquire a senha vai usá-la depois, é por isso que quando as senhas acabam (porque eles dizem e a gente finge acreditar que as refeições são perfeitamente CONTADAS) é formada uma segunda fila para as pessoas que não conseguiram pegar a senha, mas que ainda assim querem ter o prazer de comer no bandejão. Então o que aconteceu, os funcionários do sistema resolveram não esperar mais dar treze horas e começaram a deixar o povo SEM SENHA entrar e a comer as refeições do povo COM SENHA, que sai da aula exatamente ao meio-dia e cinquenta. O que aconteceu? Quando eu e minhas amigas chegamos lá a comida já tinha acabado, fecharam as portas do refeitório na nossa cara para ninguém mais entrar e a confusão foi armada.

Sabe aquela coisa de um grupo colocando a culpa no outro e vice-versa? Pois é, quando não tem ninguém imparcial a coisa nunca vai pra frente. É como se dissessem que a culpa era nossa que a gente estuda e precisa comer pra não desmaiar no pátio da faculdade. Foi só quando a responsável do refeitório chegou e viu um monte de gente com senha sem comer que a coisa começou a andar. Eles tiveram que tirar o almoço dos funcionários para dar pra gente. Quase que deixei escapar um “haha se foderaaaam”, e quase morri quando um deles tentando contar quantos estudantes estavam com a senha, acabou contando errado e após dar o resultado veio um dos nossos dizer que ele não sabia contar até dezessete.

Mas o mais engraçado foi o garoto berrando no meio do refeitório quando conseguimos entrar. Merece até uma tentativa de reprodução:
Estávamos na fila e ele puxou papo com uma amiga que estava sentada almoçando.

Garoto: FULANA, VOCÊ ACREDITA QUE QUASE ME DEIXARAM SEM COMER?
Fulana: MAS QUE ABSURDO! ISSO NÃO PODE ACONTECER! PROCESSA!
Garoto: CLARO NÃO PODE ACONTECER, IMAGINA A MINHA BOCETA FICANDO COM FOME? NÃO DÁ, MINHA BOCETA IA CHORAR SE NÃO LHE DESSEM DE COMER.”

Pois bem, EU chorei.
De rir.








%d blogueiros gostam disto: