Agora que sou rica…

19 09 2010

Freguês: Quero provar essa camisa.
Vendedor: E você já viu o preço?
Freguês: Er… não.
Vendedor: Vou ver pra você.
Freguês: …
Vendedor: Trezentos reais.
Freguês: Ai, muito caro, não quero mais.
Vendedor: Nós temos blusas de 79,90 também.
Freguês: … ah ok, então tchau.

Foi o que aconteceu comigo esses dias.
E eu achei um absurdo. Estava andando pelo shopping semana passada e um atendente medíocre (e SUPER GOSTOSO, por sinal, do tipo tudo-o-que-eu-sempre-sonhei-e-nunca-vou-ter) me olhou com aquele olhar de como se me avisasse que eu estava em território de grife e aquele não era o meu lugar. Porque por favor, nem eu mereço um “e você já viu o preço?”. Ainda mais de um atendente, é demais. Até porque se ele pudesse se permitir compras roupas com os preços da loja em que ele trabalha, ele não estaria perguntando para pessoas desconhecidas se elas precisavam de ajuda nas compras. Apesar que, vamos concordar, trezentos reais por uma camisa de manga comprida com capuz é meio exagerado demais. E olha que nem era de ouro.

Mas qualquer dias desses eu volto lá e a história vai ser diferente. Do tipo:

“Agora que sou rica… embrulha a loja inteira e manda enviar pra minha casa. Beijos, meu celular é taltaltal, me liga.”





Compras compras compras

16 07 2010

Eu me considero um consumista problemático. Desde pequeno eu deixava de comer na escola para guardar o dinheiro do lanche para comprar tralhas. Desde pequeno MESMO. Modéstia parte, eu sempre tive um controle muito bom para esse dinheiro porque, afinal, eu tecnicamente só podia gastar o que eu realmente tinha em mãos. Tudo acabava indo pro bolso dos outros em troca de milhões de revistas em quadrinhos, albuns musicais, revistas, jogos, aquela coisa de nerd. Eu lembro que na minha primeira escola, onde estudei desde o jardim de infância até a oitava série, eu tinha um relacionamento muito bom com o velho que cuidava de uma banca de jornal que ficava próxima à escola. Eu ficava devendo horrores a ele, pedia encomendas, ele trazia e a minha vida era sendo levada pagando o velho da banca aos poucos até quitar minha dívida para em seguida fazer outras piores. Inclusive, quando eu me formei no primeiro grau, acredito que ainda fiquei devendo umas migalhas na banca de jornal. Mas nada muito sério. Minha vida problemática com dinheiro já criava suas raízes na infância.

O verdadeiro pesadelo se iniciou no ano de 2009. Ah, sim. Lembro bem daquele dia. Era a pré-matrícula da faculdade e na entrada do prédio da Letras o que mais havia eram aqueles funcionários chatos de bancos tentando agarrar qualquer chance de abrir novas contas universitárias através das pobres almas solitárias que tinham acabado de passar no vestibular. Posso imaginar o que eles pensavam: “Uuuuhh carne nova no pedaço, VAMOS ATACAR!”. Eu ainda tinha dezessete anos na época e precisava ser acompanhado pelos meus pais para assinar certos documentos. Enfim, quando um desses funcionários me abordou, para minha surpresa, meus pais bondosamente ofereceram: Por que você não abre uma conta? Tudo começou com essa frase.

Acho que a minha primeira reação foi: WOHOAL, CARTÃO DE CRÉDITO INTERCIONAL. A segunda reação deve ter vindo a tona depois de uns meses: WOHOAL, TO FODIDO, NÃO TENHO DINHEIRO PRA PAGAR O CARTÃO. Mas pobre sempre dá um jeitinho, né? Bom, eu venho dando jeitinhos e manobrando minha conta universitária muito bem até há uns meses atrás.
Esses dias eu tenho lido sobre consumismo, sobre a pessoa parar pra pensar se realmente precisa de tudo o que compra compulsivamente. Bom, o meu lemba é o seguinte: Menos tempo pensando e mais tempo comprando.
Mas daí a pessoa tem que escolher se ela prefere seguir um  exemplo como o meu, com uma conta corrente com saldo negativo esperando desesperadamente o salário entrar para pagar as dívidas, ou ter uma vida com a conta bancária saudável. Isso, é claro, vai de cada um.








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