Crise Capilar

7 01 2011

Esses dias eu entrei numa vibe que eu costumo chamar de “crise capilar”. Sabe quando você olha todos os dias para o espelho e não agüenta mais ter a mesma coisa te encarando de volta? Sabe aquela vontade louca de fazer alguma coisa espontânea ou mudar radicalmente o seu visual? Pois eu estava (estou) assim.

Eu costumo caracterizar meu cabelo como um afro que não chega exatamente a ser black power. Quase um mini black, como eu ouvi de um amigo recentemente. Quero dizer, meu cabelo costuma ter uns treze centímetros de comprimento, mas ele não mostra exatamente esse comprimento por causa dos cachos que ele faz. Pois imagine um black power que não seja uma esponja de lavar louça e que além disso forme vários cachinhos e cachões. Esse é o meu cabelo. E é uma convivência difícil porque ele precisa estar naquele período seco pós-molhado e anterior a uma noite de sono para estar apresentável.

Anteontem eu estava sozinho em casa e enquanto conversava comigo – eu faço isso bastante –, cheguei à conclusão que eu não agüentava mais aquela situação. Peguei uma tesoura e comecei a picotar meu cabelo sozinho. Nunca havia feito isso antes. Quando eu era criança eu tinha o costume de ir ao barbeiro sempre e quando o profissional do ramo não estava mais atingindo minhas expectativas durante a puberdade, eu comecei a cortar o cabelo em casa com a Dona Mamãe, com quem eu poderia gritar e falar sem problema algum que ela havia feito um trabalho lixo e havia arruinado a minha vida social. Mas eu vou deixar para falar sobre meu relacionamento com a minha mãe uma outra vez. Enfim, então eu diminuí o tamanho do meu cabelo a ponto de ele não formar mais cacho algum, e mesmo assim, após ter trucidado dez centímetros de cabelo humano eu ainda não estava satisfeito.

Há um bom tempo eu tenho tido vontade de raspar a minha cabeça, mas ainda não encontrei nenhum amigo que me incentive a fazer o ato. Na verdade todos acham a idéia uma estupidez sem limites. E eu estava pensando, sabe, também acharam que eu cortar o cabelo sozinho seria uma estupidez. Eu até concordo, mas não deu exatamente errado, eu consegui cortar direitinho, e olha que eu fiz tudo com uma tesoura falhando.

Eu gostava muito do meu cabelo grande e confesso que sinto falta dele, mas às vezes a gente precisa mudar. Ontem mesmo eu estava mostrando meu corte novo a um amigo.

“Ah. Tá legalzinho” disse ele.

Legalzinho? Que tipo de opinião é essa? Sabe quando dizem que bonitinho é o feio arrumado? Eu costumo usar bonitinho para uma porção de coisas, e sinceramente não vejo dessa forma de “feio arrumado”. Mas quando o comentário é “legalzinho” a coisa muda de forma. Na minha mente, os níveis de beleza seriam mais ao menos assim:

Espetacular -> Sensacional -> Lindo -> Bonito -> Bonitinho -> Legalzinho

Quero dizer. Legalzinho? Legalzinho?
Sinta a indiferença.

“Ah, como eu estou hoje?”
“Ah, tá legalzinho.”








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