Aquele da varize

30 11 2010

Esteticamente falando eu posso ser uma pessoa bem paranóica às vezes. E minha melhor amiga, Carina, é a pessoa que mais sabe sobre isso. De uma forma ou de outra pode até ser por isso que nós sejamos melhores amigos há mais de oito anos. Eu sou paranóico com a minha pele e ela é paranóica com o peso (e com outras coisas também). Eu logo solto um “ah por favor, querida” quando ela começa com as divagações dela sobre como ela está uma baleia e ela me manda cair na real quando eu reclamo de uma maldita espinha que nasceu no pior dia que poderia ter nascido. É como se ambos déssemos força um para o outro falando sobre como as nossas maiores preocupações sobre nossa aparência são absurdamente ridículas e que nós somos lindos e arrasamos na night.

Um dia desses eu percebi uma veia saliente atrás da minha perna esquerda e enlouqueci. Parei o mundo falando “Não, não, isso não está acontecendo comigo, não pode ser verdade”. Procurei o próximo feriado no calendário que me propusesse marcar uma consulta no angiologista da minha mãe e fui. Porque se tem uma coisa que eu realmente gosto em mim são as minhas pernas. Não, sério. O que seria de mim sem shorts acima do joelho? Não seria eu. Então eu corri para o médico ignorando totalmente as palavras da minha mãe de que todo aquele espetáculo dramático por causa de uma veia era completamente estúpido. Já pensando que eu teria que marcar uma cirurgia para tirar todas as veias doentes do meu corpo, eu entrei no consultório. O médico, aliás, era um gato.

Então o que te trás aqui, Alison?” o médico perguntou.
Tem uma veia enorme na minha perna e eu não estou gostando nada dela” eu informei, sincero.
Deixe-me ver”.
Eu mostrei.
Não tem nada aqui” ele me disse.
Tem, sim, você é cego? Ela está aí!
Então me mostra” ele pediu. E eu não consegui deixar de notar aquele tom de indiferença e desafio. Eu só sei que eu fiquei aguardando a minha vez naquele consultório por pelo menos uma hora e em menos de cinco minutos dentro daquela sala absurdamente clara o médico me expulsou em menos tempo de que eu pudesse bolar algum argumento para frizar a necessidade dele de usar óculos.

Quer dizer, se já não bastasse Carina, minha mãe e boa parte do meu círculo de amigos me dizer que eu via coisas na minha pele que não existiam, o médico também havia se unido contra mim. Me senti vítima de um complô.

Esses dias eu estava reclamando que umas bolinhas de pelinhos encravados haviam se formado nos meus joelhos. Se tem uma coisa que eu detesto é depilar as pernas e notar pelos encravados quando eu gastei um dinheirão num creme esfoliante e o USEI CORRETAMENTE para evitar esse tipo de problema.
Eu queria ver se você tivesse celulite” me interrompeu Carina no meio de uma das minhas crises. “Se você já é paranóico com uma pseudo-varize…
Eu respondi indignado “Pseudo-varize? Você disse pseudo-varize? Tem uma veia enorme nas minhas juntas!
O médico disse que não” ela devolveu.
Ah, aquele médico não sabe de nada

E é por isso que assim que eu encontrar uma brecha na minha agenda acadêmica eu vou marcar uma consulta com um angiologista diferente, porque eu já estou começando a sentir dores intravenosas. E eu não estou imaginando coisas.

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Se bicha fosse unida…

29 11 2010

Essa história de que gay é uma raça unida e com fortes inclinações biologicamente comprovadas da necessidade de fazer com que o resto do mundo nos aceite como somos não me gera nada além de uma grande vontade de dar boas gargalhadas. Tudo bem que gays podem até andar em bando de vez em quando e o meu melhor amigo é gay, mas às vezes eu paro pra pensar e chego a conclusão que grande parte desses Adões e Evas realmente pensam que a minha vida gira em torno da causa gay. Não gira. Até porque para falar muitíssimo sinceramente eu tenho pouquíssimos amigos homossexuais com relação aos héteros. Pouquíssimos MESMO. Tudo bem que a maioria dos meus amigos héteros são mulheres, já que raramente eu consigo evoluir uma amizade com um homem heterossexual sem que na cabeça dele eu esteja imaginando como seria abrir o zíper de sua calça. E não adianta ser ingênuo o suficiente para pensar que eles não pensam dessa forma porque eu sei que muitos uma hora ou outra acabam pensando.

E sabe por que a minha vida não gira em torno da causa gay? Porque bicha é um ser do mal. Já não bastasse termos que crescer com o medo de sermos expulsos de casa ou fazer a mãe cair aos prantos se perguntando onde foi que ela errou. Nós ainda temos a árdua tarefa de tentar sermos felizes. Mas a coisa fica complicada quando a bicha do seu lado rouba o seu homem. Quero dizer, homem já é uma raça que não presta, agora junta isso a uma bicha venenosa manipuladora que EU SEI que todos nós temos uma dentro da gente. Daí vai vir gente falando “aaaaaaaaaaaah, não é bem assim”. Mas sempre tem algo. “A calça skinny dele é mais apertada que a minha”, “a cueca Calvin Klein dele está mais bem conservada”, “o namorado dele é mais gostoso que o meu” e por aí vai. Esses ativistas religiosos pensam mesmo que a comunidade gay é bem resolvida e que temos altos planos sérios como nos infiltrarmos no governo ou desviarmos grana do banco nacional para cobrir nossas viagens a Paris. Ha, se eles soubessem o tanto de intriga que somos capazes de criar entre nós mesmos…

Porque se toda bicha fosse unida e bem resolvida, meu bem, a gente já tinha dominado o mundo.





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28 11 2010

wtf





O Rio de Janeiro tá bombandoooo

26 11 2010

Então eu fui obrigado a tirar férias pelo resto da semana. Ontem eu não fui à aula, perdi uma prova importante, vou ter que voltar à faculdade em Janeiro para terminar minhas obrigações acadêmicas, mas a vida continua. Quero dizer, por causa do atual estado em que o Rio de Janeiro se encontra, por que eu vou me dar ao trabalho de correr o risco de ser vítima de bala perdida enquanto passo pela Senhora da Penha a caminho da faculdade? Não, não, não, não. Fiquei em casa na quinta-feira, hoje também e pretendo permanecer no meu lar doce lar amanhã da mesma forma.

Só quero ver se segunda-feira esse circo já resolveu fazer as malas e sair da região. Vamos ver.





“Olha o viadinho aliiiii”

21 11 2010

Vou falar que eu acho engraçado a insistência das pessoas de ficarem me reparando na rua seja pelas minhas roupas ou pelo meu jeitinho ‘especial’ de ser. Sabe aquela coisa de “Genteeee, olha o viadinho aliii (apontando)”? Então, é exatamente disso que eu estou falando. Ontem eu estava na fila do cinema para assistir a Harry Potter and the Deathly Hallows e me atrevo a dizer que eu NÃO ESTAVA usando as cores chamativas com estrelinhas brilhantes a minha volta que eu costumo usar. Pelo contrário, eu estava num dia light. Uma camisa preta estampada básica, uma bermuda jeans escura dobrada um pouco acima do joelho, all star vermelho cano médio… sabe, light. E eu sou uma pessoa muito observadora. Não é a toa que quando a @nathaliejourdan e eu saímos pra bater perna no shopping com alguns amigos eu era praticamente o único que percebia as pessoas a reconhecendo por causa de Malhação antes delas virem correndo pedir pra tirar foto. Eu costumo dizer que a observação é uma arte, é quase um dom, e eu tenho esse dom.

Enfim. Então eu estava na fila do cinema tomando meu modesto milkshake de ovomaltine quando eu percebo um casal hétero à fila ao lado cujo rapaz me dá uma olhada e vira de volta para fazer algum comentário com a namorada, que responde aos risos: “Aquele tomando milkshake? Sim, eu percebi.”

Eu fiquei pasmo.


Tá, eu não fiquei pasmo. Na verdade isso acontece muito comigo. Eu só acho incrível que eu consiga dar pinta até parado na fila do cinema tomando milkshake. É como se eu deixasse cair purpurina roxa por todo o lugar que eu passo. Às vezes eu me divirto com isso, mas vou falar que quando a gente está num dia não tão bom, é um saco você receber olhares de “ai, tem um gay aqui”. E isso porque dá pra perceber quando o comentário é apenas corriqueiro e quando ele é ofensivo. Mas eu já devia estar acostumado com isso.

E uma tirinha temática.
Porque faz muito tempo que eu não publico uma por aqui.





Glee – O Filme

20 11 2010

Em breve nos melhores cinemas.

Genial ou não?





Kiss with a fist is better than none

18 11 2010

Como provavelmente a essa altura do campeonato até a minha avó deve estar sabendo do choque purpurinado que Glee impactou globalmente em nossas vidas com o primeiro beijo homossexual da série, não tem problema comentar. Eu sou uma pessoa que odeia spoilers, mas a awesomeness do meu mais novo shipper¹ em Glee merece seu espaço aqui TAMBÉM.
O vídeo dispensa comentários:

Porque o Karofsky simplesmente TEM que se tornar o ursão de pelúcia do Kurt.
E se você, pobre alma, ainda não começou a assistir Glee, vá assistir tiop AGORA.

¹ Shipper, para quem não sabe, é um termo usado em fandons em geral para designar um certo par romântico que um fã goste ou quer que dê certo.








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