Passando fome em Paraty

10 08 2010

Foto: Isabelle Saint Martin

Na última quarta-feira desse mês teve início a oitava Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) lá no litoral brasileiro e eu acabei viajando com a galera da Comunicação da Letras para cobrir o evento. Foi a minha primeira vez na FLIP e em Paraty, então eu não sabia muito bem o que esperar, mas a cidade é linda e dispensa comentários. Andando por lá eu me senti como no interior de uma obra de arte, fica até difícil de acreditar ou imaginar que realmente existem pessoas morando naquelas casinhas. Isso é, pelo menos o centro histórico que é bastante conservado, agora tem umas ruelas estilo riodejaneiro-fimdemundo no outro lado da cidade com cada buraco que chega a ser até triste. Inclusive teve uma noite que choveu horrores e no dia seguinte passamos por perto de uma rua onde as pessoas que moravam nas casas precisariam de um bote salva-vidas pra sair de casa porque formava um lago ao redor dos portões. Ou seja, sair seco de casa não era uma opção.

Mas o foda mesmo do centro histórico é o chão, ele é todo revestido de pedregulhos um maior do que o outro e com espaços entre cada um deles. Quero dizer, você chega em casa com o seu pé DESTRUÍDO todo o santo dia, e nem quero descrever como é andar por lá quando a bebida faz aquele efeito da felicidade. A minha sorte foi que eu preferi não abusar da cachacinha pra não me preocupar em ficar caindo pelas ruas de Paraty pra contar história depois.

[Isabelle dormindo durante umas das palestras.]

O festa literária foi ótima. Tive a chance de assistir uma palestra do Ferreira Gullar e a chapinha dele (porque aquilo é chapinha, sim, e ele não me engana) uma segunda vez e me mijar de rir com as coisas geniais que ele falava. Conheci novos escritores, comprei novos livros (apesar de já estar devendo até o pelos do cu), visitei lojinhas de souvenires com o álcool subindo a cabeça…Da próxima vez o negócio vai ser ir com dinheiro. É tão chato viajar, ver um monte de coisa bonita pra comprar e não trazer quase nada pra casa. Queria trazer presentes também, mas não rolou. A equipe quase não tinha dinheiro pra comer, imagina fazer compras? Nós não ficamos caçando degustação de bebida e petiscos de graça à toa, não.

Me perdi em cidade pequena, fiquei acordado até tarde, sofri com crise de rinite alérgica de madrugada, fui chamado de infeliz por uma velha enquanto eu atacava petiscos de graça no stand do SESC, vi a Bárbara Paz ao vivo (ela é linda, aliás), tentei fazer um “4”com as pernas depois da cerveja fazer seu rápido efeito em mim e encontrei até conhecidos por lá. Paraty é um lugar que eu com certeza vou querer visitar novamente.

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