Aquele da escola

26 02 2010

Durante toda a minha vida escolar eu ouvia de amigos mais velhos que eu deveria aproveitar o meu colegial enquanto eu tinha tempo. Eu nunca acreditava que de fato eu poderia sentir falta daquela jornada de aceitação pública, mas eu tenho que dar o braço a torcer. Sinto muita saudade do meu colegial.

O segundo grau pode ser complicado. Ainda mais para um nerd tímido de idéias estúpidas que no fundo guarda uma identidade gay. Meu primeiro ano foi uma mudança drástica na minha vida. Tinha acabado de me transferir de uma escola de onde tinha passado minha vida toda, onde tinha amigos, onde tinha funcionários que me conheciam desde criança, onde inclusive tinha o professor que abriu minha mente para a carreira que futuramente eu escolheria para mim (a qual AINDA HOJE eu tenho certas dúvidas, mas isso é detalhe de praxe, espero).

Foi no segundo grau que eu comecei a usar óculos. Acho engraçado como maioria das pessoas detesta óculos de grau, mas eu separo a linha da minha vida entre “sem óculos” e “com óculos”. Eu particularmente cresci querendo usar aqueles intelectuais aros de vidro no rosto. Sou estranho, eu sei. Eu brincava tanto de pegar emprestado óculos de amigas no ginásio que uma vez fui embora usando um deles sem devolver. De alguma forma usar óculos é importante pra mim, eu me sinto mais confortável, eu me sinto mais “eu”. É até triste e com direito a lágrimas (tá, exagero) a despedida no oculista quando eu preciso deixar o óculos lá para a troca de lentes.

Foi no segundo grau também que eu me assumi para os amigos do colégio. Foi um dia hilário. Estávamos todos discutindo sobre a possibilidade de uma homossexualidade numa amiga no mesmo grupo e bem antes da primeira aula quando quase nenhum dos colegas havia chegado na classe, me chamaram para uma conversa em separado. Éramos eu e mais três amigas do grupo. O resto ainda não havia chegado.

Amiga 1: Você é gay?
Eu: … eu tenho mesmo que responder a isso?
Amiga1: Tem.
Eu: …ué, sou.

Foi chocante. Meu coração até bateu mais rápido por uns três segundos. Mas foi feliz, foi agradável, teve direito a abraços e, pasmem!, nada mudou. Aliás, mudou sim, para melhor. O resto é história.

Mas eu sinto falta da escola, sim. Sinto falta de discutir com os garotos estúpidos da sala. Sinto falta de ser perturbado e mandar todo mundo para o quinto dos infernos em voz alta, sinto falta dos funcionários, sinto falta de muitos dos meus professores. Teve um até que precisou sair da escola um semestre antes de eu me formar. Acho que nunca chorei tanto por um professor na minha vida. Aquilo serviu também para a pérola “É, gente, ele também tem sentimentos” que uma amiga soltou sobre mim. Porque, afinal, todo mundo achava que eu era aquele tipo de amigo cdf metido que pensava “quando ficar rico nunca mais falo com vocês”. Na verdade acho que alguns da faculdade também pensam a mesma coisa. Daqui a pouco vou começar a acreditar neles. Afinal, eu não presto.

O que acontece é que muita gente não dá valor a essa epoca de aprendizado da nossa vida, que é tão importante. Na minha teve muita choradeira. No meu caso eu não consigo nem pensar na minha vida sem estudar, sem estar num lugar de aprendizado. Talvez seja por isso que quis ser professor.





O tal do orgulho

14 02 2010

Sabem aquela história sobre minorias desprivilegiadas sentindo necessidade de gritar aos quatro ventos o quão se sentem orgulhosos de fazerem parte dessa minoria? Por exemplo como tem tanto negro por aí que se sente orgulhoso em afirmar sua cor de pele. As pessoas falam como é importante lutar contra a segregação e como é importante a igualdade entre o ser humano. Todo mundo merece respeito seja você negro, amarelo, azul ou roxo com bolinhas marrons. Isso pode até soar repetitivo para muitos, mas tendo em vista tudo isso sobre o ‘orgulho’ de ser negro, por que um branco não poderia sentir o mesmo em relação a sua cor de pele? Um estudante de História poderia me responder que diferente do caucasiano, o negro sofreu anos e anos de escravização e terror pelo mundo todo. Concordo, é difícil fingir que o passado não existiu. História continua sendo História e o que passou não vai se apagado. Mas uma coisa é você saber o que aconteceu e ter noção de que pode fazer diferente dessa vez no mundo de hoje, outra coisa é você viver esse nosso passado histórico no seu dia-a-dia.

E aquele exemplo cretino de que um negro usando uma camisa de “100% negro” não seria considerado como um problema, mas uma camisa com um “100% branco” logicamente deveria de ter algo de ofensivo. OK. Deixando de lado o fato de que ninguém vestiria uma camisa com um “100% nego” no peito, chega a ser meio que absurda a idéia de querer enaltecer a ‘condição’ de ser negro. Pra que? Você não é igual a todo mundo? Pra que ficar tocando na mesma tecla? E o que é mais interessante é que eu pelo menos não costumo ver preconceito dos brancos. É sempre um negro aqui e um negro ali que solta de vez em quando um “só porque eu sou preto, né?”. Eu não vou falar que o preconceito racial foi banido da terra porque infelizemente ainda existe muita gente estúpida no mundo, mas ele foi consideravelmente diminuído. Consideravelmente. Só acho que algumas pessoas precisam notar a ‘auto-segregação’ que fazem, e fazem tão bem de forma que o culpado seja a pessoa ao lado. Acho indigno.

Agora eu?
Eu sou negro SIM.
Eu sou homossexual SIM.
E não tenho orgulho disso.
Também não acho que teria orgulho de ser branco ou heterossexual caso fosse. E por que teria? Alguma das opções me faria ser “mais especial”?

Eu guardo o meu orgulho para outras coisas. Tenho orgulho de ter passado no vestibular, por exemplo.





Câmbio

13 02 2010

Idéias e promessas de assunto a parte, uma hora eu teria de inventar um jeito de inicar essa bodega. No apetite de mais um lugar para dividir com o mundo idéias cretinas, talvez sem valor e portanto inúteis, resolvi criar o blog. Só porque senti o tal “feeling”, que vem crescendo há algum tempo já. Cresceu, cresceu, mas cresceu tanto que resolvi criar afinal.

Com o título menos original possível (e acreditem, fiquei três dias só para bolar ESSE nome) e sem a menor idéia do que vai ser desse espaço, ele está criado pelo menos. Às vezes a gente simplesmente tem que arriscar nos tais “feelings”. Estou seguindo o meu, mesmo que no final não dê em nada. Não será a primeira vez de qualquer forma, mesmo.

Será que vai prestar?
Veremos.

OK, próximo








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